terça-feira, 17 de junho de 2014

O Arlequim, parte 1

O Arlequim é um personagem teatral que foi disseminado no Brasil principalmente através dos blocos carnavalescos de rua. O carnaval nordestino principalmente na Bahia e Pernambuco, soube transferir o fenótipo típico do bobo-da-corte para o artista brasileiro, malandro brincalhão. Mas longe de ser apenas uma figura fictícia para entreter as pessoas, o Arlequim possivelmente pode ser uma entidade a qual fez suas aparições macabras diversas vezes ao longo da história. O que seria ele? Uma entidade, uma criatura, um demônio ou apenas loucura? Confira nesse especial de 3 partes, a história real de Dan Mitchell, um norte-americano o qual supostamente é atormentado desde a sua infância pelo Arlequim.

Ele só visitava à noite. Enquanto Dan Mitchell, então com 5 anos de idade, estava em sua cama, no sul de Wisconsin, EUA, e seus pais no andar de baixo; uma criatura magra, andrógina, com grandes olhos bem abertos, apareceu trazendo consigo um cheiro úmido, fresco, como chuva de verão. A entidade andou ao redor do quarto de Mitchell contando-lhe histórias através de dança, teatro, e às vezes por meio de sua boca enorme que permanecia sempre aberta.

"Seu rosto parecia que estava em um estado perpétuo de choque", Mitchell, agora com 35 anos, casado e com filhos, disse. "Eu queria contar à minha mãe sobre isso, mas ela sempre achou que era apenas minha imaginação fértil." Mas era real. Com sua aparência heterogênea, estranha, a entidade parecia "como um arlequim", mas identificava-se como a Fada dos Dentes. "Por alguma razão eu nunca tinha medo dele", disse Mitchell. "Meu sentimento geral em relação a esse ser, era de familiaridade total. Olhando para trás agora, eu também posso dizer que havia algo muito forte sobre esta entidade, como uma força de presença."
O que é essa coisa que visitava o jovem Dan Mitchell durante a noite, essa coisa que ainda o visita? Agora isso relega-se para a periferia da vida de Mitchell, arrastando-se ao longo das bordas da realidade, surgindo vez ou outra apenas para que Mitchell saiba que ainda está por aí - observando-o.


O Arlequim
O personagem Arlequim que assemelha-se a um palhaço, remonta à 1300, Europa, aparecendo em "Inferno" de Dante como um dos demônios do inferno, e em grande parte do teatro europeu. O Arlequim é tradicionalmente ágil fisicamente e ao mesmo tempo um guloso e insípido. Mas este personagem teatral é baseado em algo antigo e real. Brad Steiger, autor de "Real Monsters, Gruesome Critters, and Beasts from the Darkside", disse que essa entidade que visitou o quarto de Mitchell, já visitou inúmeras crianças através de incontáveis séculos. Steiger citou um poema escrito em 1782 por Johann Wolfgang von Goethe, intitulado O Erlkönig. "(Ele é) o raptor sobrenatural de crianças", disse Steiger. "Estamos falando de 1.600 anos, ou algo assim, e o Arlequim está voltando. Este é apenas um nome para todas as outras entidades de que falamos há tanto tempo."


O jantar da família
O jovem Mitchell sabia que sua família nunca viu o Arlequim, nem acreditavam que ele viu. "Eu sei que isso parece loucura, mas eu lhe asseguro que eu me lembro dessas ocasiões estranhas quase tão bem como eu me lembro dos eventos normais da minha infância", disse ele.
Em uma noite na primavera de 1981, quando a família Mitchell sentou-se para jantar. "Eu me lembro que o meu pai estava muito agitado", disse Mitchell. "Ele ficava dizendo que ele estava ouvindo alguém andando no andar de cima. Eu estava aterrorizado com isso, porque meu pai estava tão agitado e eu nunca tinha visto ele com medo assim. Ele era um cara muito duro. "Então o pai de Mitchell disparou da mesa de jantar, com uma expressão de terror em seu rosto. "Imediatamente houve uma voz que ele ouviu vindo do andar de cima", disse Mitchell. "Apesar de me parecer que soou como uma risada sinistra e aterrorizante, eu creio que foi apenas um grito de algum tipo que causou uma sensação de calafrios na espinha."
Então seu pai riu, o olhar de terror ainda permanecia em sua face. "Ele ficou congelado com aquele olhar terrível em seu rosto", disse ele. "Todo mundo na mesa estava congelado. A próxima coisa que me lembro é de acordar na mesa de jantar com o leite todo derramado sobre mim mesmo e pela mesa." Sua família simplesmente voltou a comer o jantar, o riso foi aparentemente esquecido. "Esta situação foi tão traumática para minha jovem mente que eu honestamente acredito que eu tenha apagado uma grande parte deste evento", disse Mitchell. "Eu sempre pensei que o que quer que seja que foi me visitar no meu quarto à noite, foi essa "pessoa" que estava andando no andar de cima da nossa casa, possivelmente procurando por mim ou se perguntando por onde eu teria ido."
Mitchell mencionou recentemente o evento do jantar para seu pai. "Meu pai ficou branco como se ele pensasse que havia sido um pesadelo que ele teve", disse ele. "Ele realmente foi inflexível sobre não falar sobre o assunto mesmo quando eu continuei a persegui-lo." Mas Mitchell descobriu mais tarde que sua família sabia sobre esse visitante o tempo todo.


Algo maligno
Uma das primeiras reações a uma entidade humanoide que entra sorrateiramente no quarto de uma criança à noite é que seus objetivos são sinistros. "Não há dúvida sobre isso", 'Anonymous', escreveu em um post sobre o Arlequim em um fórum sobrenatural: "Este é um demônio, ou melhor, um anjo caído disfarçado. Ele sabe o que te assusta e está assombrando você. "
O pastor Robin Swope, da Igreja Unida de São Paulo de Cristo em Erie, Pensilvânia, concorda que a entidade é, provavelmente, um espírito demoníaco. "A coisa principal é o medo que tomou conta da família em sua infância e a reação geral que ele tem quando ele aparece", disse Swope. "O rosto, olhar incomum e movimento do ser, tende a me fazer acreditar que ele se manifesta para causar o medo na família e nele em particular." Entidades como esta, Swope disse, costumam ficar em torno da família por um longo tempo. "Seria interessante que o homem falasse com seu pai, se possível e descobrir se ele ou qualquer outro na família teve ou está tendo encontros semelhantes", disse Swope. "Talvez tenha ocorrido há mais tempo do que o que ele tem experimentado. Poderia ser geracional, ou um familiar (espírito companheiro de bruxa) que foi amarrado a alguém em sua ascendência que esteve associado com bruxaria ou mediunidade. "
Mesmo que o pai de Mitchell não admita que ocorreu nada de estranho em torno da casa em que ele cresceu, sua mãe sim.


A família de Mitchell
Embora Mitchell não tivesse medo do estranho ser esguio visitando-o no meio da noite, ele aterrorizou outra pessoa na casa. "Minha mãe estava tendo um pesadelo recorrente que a assustou muito", disse Mitchell. "Ela me disse que estava convencida de que tal fato tenha ocorrido." No pesadelo, uma batida na porta da frente acorda a mãe de Mitchell durante a noite. No seu "sonho" ela se recusa a descer para abrir a porta, porque ela sabia que um homem vestido como uma mulher estava nos degraus da frente batendo na porta, esperando por ela. Mitchell está convencido de que o sonho de sua mãe está ligado a suas visitas. "Eu sempre associado o seu sonho com esses encontros porque o ser era andrógino", disse ele. "Todos os envolvidos tem tido dificuldades para descobrir exatamente o que estávamos lidando com relação ao sexo da figura."
Tentando puxar mais informações a partir de sua mãe e irmãos, Mitchell encontrou uma série de estranhos acontecimentos em torno de sua família durante a década de 1980. "Até agora um dos meus irmãos não tem nenhuma lembrança de alguma coisa estranha acontecendo na primeira casa, mas ele tem uma memória realmente assustadora da casa que nos mudamos depois daquela", disse Mitchell. Seu irmão se lembra que ele e Mitchell estavam andando de bicicleta perto de sua casa quando um "homem em uma bicicleta estranha", começou a persegui-los. "Ele descreveu a bicicleta como sendo muito grande, como um veículo de três rodas, alguma coisa que você veria em um circo", disse Mitchell. "E o que é assustador sobre isso é que eu tenho uma memória semelhante, mas eu sempre pensei que fosse um sonho. Ele se lembra bem isso, porque ele estava com medo de que o cara me alcançasse, porque eu tinha ficado muito atrás dele."

Outros acontecimentos foram um pouco menos parecidos com um sonho. Durante final de 1970-início de 1980, a mãe de Mitchell começou a ter experiências estranhas na casa. "Ela tem todas essas lembranças incrivelmente bizarras sobre pessoas na casa, seja em cima ou no porão, ou pessoas de aparência estranha andando na garagem à noite", disse Mitchell. "É muito estranho ouvi-la falar sobre isso, porque ela é rápida em equacionar essas lembranças com assaltantes tentando roubar as coisas de nossa casa, embora a nossa casa nunca fora invadida."
O porão da casa Mitchell, um polish-flat, "que são comuns na área de Milwaukee," foi um pequeno apartamento e só podia ser acessado através de uma porta exterior. "Meus pais lembram que em duas ocasiões a polícia foi chamada até o local, porque minha mãe ouviu pessoas andando lá embaixo", disse Mitchell. Seu pai era dono de um posto de gasolina na rua abaixo e muitas vezes trabalhava no turno da noite, deixando a mãe de Mitchell e os filhos em casa sozinhos. Cada vez que a mãe de Mitchell chamava a polícia, ela encontrava o porão vazio. "Meu pai me disse que a polícia pensou que ela era louca, porque nenhuma das janelas foram arrombadas, e a porta ainda estava trancada", disse Mitchell. "Ele disse que em um par de ocasiões, ele, pessoalmente, foi até lá, com a arma na mão, porque ele ouviu um tumulto alto. Mas não havia qualquer coisa ali. "Em um determinado momento, o pai de Mitchell disse a sua mãe que se ele fosse ao trabalho e ela ouvisse barulhos no porão ou na garagem, que o chamasse que ele iria voltar para casa para olhar por si mesmo. Então ela ouviu algo de novo. "Ela disse que colocou o ouvido no chão e ouviu alguém andando e brincando", disse Mitchell. "Ela disse que tinha certeza de que ela viu sombras de pessoas que se moviam na garagem. Ela não podia entrar em contato com o meu pai e estava com muito medo de chamar a polícia, temendo que iriam prendê-la por ser louca."
Estes incidentes assombram a mãe de Mitchell, enchendo sua vida de medo. "Eu acho que a sua ideia de que um travesti venha para a sua porta no final da noite é demais para ela lidar", disse Mitchell. "Ela parecia apavorada com a coisa toda. Toda essa estranheza parece ter terminado para ela quando nos mudamos daquela casa, alguns anos mais tarde."
Mitchell cresceu em uma família cristã devota e pensa que as crenças religiosas de seus pais podem desempenhar um papel no silêncio de seu pai. "Meu pai não vai falar sobre isso, embora a minha esposa, irmão, e eu, saibamos que ele sabe mais do que ele está disposto a falar", disse Mitchell. Seu pai cresceu na mesma casa, e Mitchell cogita, como Swope apontou, se os encontros com o Arlequim não seriam um assunto de família. "O que quer que ele saiba, eu posso te dizer com certeza que ele se lembra do encontro da cozinha como se fosse ontem. Não é uma dúvida em minha mente ", disse Mitchell. "Eu sou o único dos meus irmãos que tem filhos, então talvez seja por isso que ele continua a me perseguir."

Clique AQUI e leia a parte 2





Compartilhe no Facebook Compartilhe no Tweeter Compartilhe no Google+ Inscreva-se no nosso Feed Voltar ao Início Image Map

Comente com o Facebook: