quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Simbologia

Vamos falar agora um pouco sobre simbologia através da história.



Muito embora haja um caráter histórico nas próximas linhas a serem desenvolvidas, não é exatamente o que poderíamos chamar de um estudo histórico, mas sim de uma visão um pouco mais abrangente do que o homem tem chamado de SÍMBOLO nos dias de hoje. É imprescindível tratar do caráter histórico das ideologias quando pensamos nos símbolos de que se valem os homens para seu objetivo final, ou seja: A busca pelo sentido. Divaguemos um pouco, antes que contemplemos os símbolos propriamente ditos, sobre o conceito de símbolo... Caso alguém perguntasse aos leitores destas linhas sobre o significado da palavra símbolo, facilmente se notaria a complexidade do assunto a ser desenvolvido, afinal de contas se trata de um conceito abstrato de mais, que vem sendo discutido desde a Grécia antiga. Os símbolos, em sua natureza, são figuras das quais o homem se vale para representar o mundo e a maneira como este o enxerga. Seria contraproducente para este texto introdutório apresentar um conceito mais científico dos símbolos, por isto limitar-me-ei a esta breve explicação, sendo que se tentarmos simplificar mais ainda a ideia poderíamos cair no polo oposto do simplismo... Assim sendo, pensemos no símbolo como a relação do homem de maneira simbológica com o mundo natural. O ser humano sempre buscou significado e sentido desde que se conhece o pensamento; e uma prova vigorosa disto seria a eterna batalha entre a ciência e a superstição, ou ainda entre a ciência contemporânea e a religião, que creem alguns, está ultrapassada e não mais pode ser usada como ferramenta para explicar o mundo ao redor. No entanto, é exatamente neste ponto em que paramos para questionar a natureza de algo mais simples: Os mitos. O mito sempre esteve presente na humanidade e, caso buscássemo-lo em outras sociedades que não a nossa, mesmo em comunidades indígenas consideradas primitivas (eis outro termo filosófico digno de discussão), encontraremos mitos ou crenças supersticiosas (diferentes em seu significado aqui do primeiro termo) explicando a origem do mundo ou a origem das coisas. Digno de nota também seria o contraste entre os países com maior desenvoltura econômica e científica e os menos afortunados: Em países com menor uso de métodos científicos há sempre a existência de histórias mitológicas, miraculosas entre outras para que haja uma explicação a respeito do que acontece ao redor das pessoas, ao passo que em comunidades com avanço no pensamento científico observamos um afastamento das crendices populares e um apego ( por vezes exacerbado) ao que é cientificamente comprovado. E, assim sendo, torna-se evidente que o ser humano vale-se de símbolos de várias espécies para interpretar o mundo de maneira geral. E, finalmente, nesta tênue linha que separa a religião, o mitológico e a superstição, que o homem começa sua busca pelo sentido na antiguidade e em todos os continentes. Comecemos com uma imagem que poderia ser considerada agressiva e potencialmente perigosa para algumas pessoas:
 
A imagem de lúcifer é uma das mais marcadamente abolidas na história da humanidade, particularmente em meio aos adeptos do cristianismo. Afinal trata-se da pura imagem do demônio, não é mesmo? O demônio sempre foi descrito esta forma, não é mesmo? De que outra forma poderia ser descrito?! A resposta é surpreendentemente contrária: Esta imagem de meio homem meio bode e os chifres era de um deus conhecido como Baphomet, o deus cordeiro da fertilidade e da reprodução. Foi usada contra os templários antes do ano 1.333 d.C, quando estes se tornaram um empecilho para a santa inquisição. As acusação eram de que os templários estariam fazendo danças e cultos ao redor da estátua daquele deus cordeiro, daí começa a dizimação dos templários que é conhecida por nós nos livros de história. Dizer que esta foi a única ferramenta usada pela igreja católica seria simplificar demais a história. Deixemos este aspecto aos historiadores... De uma forma ou de outra, o ódio disseminado pela igreja aos templários e aos deuses pagãos fora tamanho que ainda nos dias de hoje temos esta imagem como a representação do demônio, mesmo quando não há nenhuma citação direta a sua forma no antigo testamento como no novo. Lembremos sempre que se trata de um anjo caído do paraíso, mas esta imagem que agora se torna simbologicamente ligada ao mal. A cor vermelha ligada às tentações (outra simbologia) o tritão que era de uso de Netuno na mitologia Romana e outros aspectos de religiões diversas foram incorporadas nesta imagem que temos hoje, aliás que também é muito semelhante ao deus da vida selvagem da mitologia grega Pã:


É... realmente outro fato chocante quando pensamos que são duas figuras distintas, mas é a realidade. O jogo de imagens foi um artifício usado com a finalidade de afastar as pessoas das religiões pagãs, assim uma série de “mitos” a respeito desta imagem foram sendo construídos ao longo dos séculos e o significado primordial acabou caindo no esquecimento. Caso os leitores queiram conhecer mais a respeito da simbologia do mal nas religiões, indica-se que leiam alguns dos tratados de semiologia que podem existir a respeito do assunto e, embora alguns dados sejam questionáveis na bibliografia do autor Dawn Brown, os seus livros trataram com alguns detalhes sobre a história do deus cordeiros e das intempéries entre a igreja e os templários. A verdade é que estas imagens nada mais são do que meras representações simbológicas de ideias dos homens, como o diabo encarnado na imagem com chifres representando o mal, afinal de contas sua fisionomia se destaca quando o comparamos com um ser humano, e é desde sempre que se encara o extremo diferente como algo negativo. Um outro exemplo de um símbolo que pode exercer influência sobre nós, mas que é de natureza mais simples:  


Qualquer pessoa comumente associaria estas duas imagens ao banheiro feminino e ao masculino. De maneira geral, podemos pensar nos símbolos como imagens concretas e com forma determinada que representam uma ideia abstrata, como a de masculinidade representada pelo desenho da esquerda e feminilidade à direita, visto que os tecidos que adornam o corpo da mulher de forma circular há muito tempo são considerados traços femininos. Isto não ocorre da noite para o dia, mas sim por um consenso entre as pessoas ao longo da história, assim sendo esta ideologia construta tem sua continuidade no tempo e significa para nós, habitantes de um futuro distante em relação àqueles indivíduos que deram início a este jogo imagético. A dualidade do masculino e do feminino é uma das maiores representações simbológicas e icônicas nos dias de hoje, sendo superada talvez pelo simbologismo religioso. Um exemplo tão curioso quanto os acima citados é o da imagem que algumas pessoas fazem do Deus cristão: Um homem velho com barbas longas, imagem esta que inclusive foi usada por um pintor conhecido:

 
Michelangelo Buonarroti pintou esta imagem entre 1.508 e 1510. Sendo assim, esta visão de Deus uma imagem autentica dos cristãos? A simbologia não é tão simples: Como uma tentativa de impor a religião cristã aos gregos, os cristãos roubaram deliberadamente a imagem de Zeus.. Um homem másculo com barbas brancas e longas. Imagens baseadas em conceitos abstratos vão se tecendo ao longo da história e se compondo em uma dança interminável, afinal de contas os símbolos exercem uma influência severa sobre todos os homens e compõe uma parte fundamental de nossa vida em sociedade. No entanto, as imagens até aqui foram simples em demasia, e é necessário que apresentemos alguns símbolos mais abrangentes para que se compreenda com mais exatidão esta natureza problemática:


Em uma tentativa de representar a união entre os trabalhadores (martelo) e os agricultores e trabalhadores do campo de maneira geral (foice), na Rússia surge esta peculiar bandeira. A ideia do socialismo seria de que os trabalhadores deveriam conseguir partilhar os ganhos de seus trabalhos sem serem explorados por nenhum patrão que roubaria-lhes a maior parte dos lucros, deixando-os com uma pequena porcentagem. Então observamos o martelo como símbolo do trabalhador braçal dos centros urbanos e dos rurais com a foice. São símbolos distintos unindo diferentes integrantes da comunidade em campos ideológicos, representações simbológicas por excelência e de cunho político. Ainda nos dias de hoje vemos partidos políticos valendo-se destes símbolos dos trabalhadores do Marxismo para convencerem ao público de suas intenções, mesmo que alguns mal informados aleguem que seja necessário uma democracia para o progresso do país... Oras, não temos aí um conflito de símbolos e ideias? Não há democracia quando pensamos em comunismo, que é o que representa a bandeira exposta acima. É risível quando nos deparamos com contradições tais como esta, mas como não é o propósito deste artigo assumir uma posição partidária, encerremos esta breve apresentação com alguns pensamentos.
O ser humano vale-se de símbolos para representar ideias abstratas desde que se conhece o pensamento, e isto um fato, mas sempre há representações que se modificam ao longo da história; pois é verdade que as imagens, os símbolos, as ideologias representadas são um construto histórico, uma manifestação da nossa própria estrutura social, mas mais profundo do que isto, estes símbolos são parte do que nos faz humanos; humanos estes que sempre se embrenharão nos compêndios do desconhecido para buscar o sentido, o significado e representá-lo... Eis onde surgem os símbolos...

artigo por Luigi C. Domani





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