quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O que seria nossa mente?

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  Que tal filosofarmos um pouco? Da Grécia antiga até o século XXI – O eterno paradoxo da existência. O que é a consciência. Ela tem um começo e um fim? O que é ela?



  Quando pensamos na antiguidade grega, sobre filósofos em conflito com os sofistas e acima de tudo, depois do pensamento socrático, os constantes debates a respeito do caráter da existência, nos deparamos com uma questão deveras complexa e que continua sem uma resposta definitiva:

O que seria nossa mente?

  Muitos se propuseram a responder tal questão baseando-se em teorias correntes como foi o caso dos gregos naquele início do pensamento filosófico humano: O dualismo grego, no qual não havia uma separação evidente entre a psique e a alma (tratada aqui em sentido restrito) pensava em uma essência humana vinda de uma dimensão ideológica afastada, dimensão esta que constituiria em si o “arché” ou o “motos” que sempre tem sido buscado pelos filósofos idealistas.
  A mente, a consciência, nossas memórias fariam parte de um componente físico limitado, condenadas todas ao fim de sua breve existência com a morte do corpo físico e o final das sinapses cerebrais? Há pensadores da antiguidade que diriam que sim, outros viriam a discordar deste niilismo que é fruto do extremo racionalismo do ser humano. Mas e se pensássemos em outros termos? Se pensássemos que a mente é reflexo de algo que já havia sido composto ao mesmo tempo do “motos” pensado com tanta veemência pelos filósofos pré-socráticos? Indo mais além de questões tão filosóficas: Não estaria nossa mente em constante estado de mudança em um plano físico, no que poderíamos chamar de evolução, como pensada por Darwin?
  Ainda de outro ponto: Pensariam alguns espiritualistas, exatamente como Alan Kardec, que o plano físico seria não um início e um final, mas um campo para uma evolução cíclica? Evolução esta que já foi abordada pelo Buddha na antiguidade do pensamento espiritual. A física quântica hoje, assim como outros ramos mais específicos da física, compreendem que a essência do universo não é material, mas sim uma essência energética! Tal conclusão nos leva ao pensamento dos antigos Hindus e ao seu sucessor, Shakyamuni, conhecido como Buda, anos mais tarde. O pensamento do oriente acaba ganhando força no sul e no norte da Ásia depois dos séculos iniciais da era cristã, mas mesmo nos dias de hoje a questão da mente continua sendo uma incógnita...
  Como poderíamos pensar na mente e na consciência no século XXI? Acima de tudo, como poderíamos compreender conceitos que são tão abstratos desde seu primeiro momento? A resposta talvez, esteja em algumas analogia das quais nos poderíamos valer para explicar o que existe de único em cada ser deste planeta ou talvez do universo:
  Pensemos em um primeiro momento em um ser humano uno, indivisível e senhor de suas próprias memórias e logo de sua própria consciência. Isto, a princípio, é fácil de se imaginar, no entanto poderíamos pensar mais além: Em um futuro, supondo que a tecnologia o permita, os seres humanos sejam capazes de fazer uma cópia exata de um ser humano, seja em memórias, em lembranças, em todos os aspectos que o compõe, e teríamos aqui uma dualidade distintiva muito peculiar. Seria esta uma evidência? Quando puséssemos duas entidades tais quais como foram descritas acima, o que as diferenciaria em um segundo momento?

Evidentemente a consciência de sua própria existência.

  Quando nos deparamos com fatos como este não é difícil começarmos com novos questionamentos a respeito de nossa própria consciência. A consciência é passível de alguma concepção verbal? Não é uma questão de fácil resposta, mas quando pensamos nas duas cópias, algumas dúvidas são levantadas, e percebemos que cada um de nós possui esse saber reflexivo característico dos homens e das mulheres, que nos torna únicos em relação aos outros, no entanto se a nossa essência energética, como diz a física, a nossa essência, como dizem no oriente, a nossa alma como dizem os cristãos, encontra um início nesta existência ou simplesmente é uma continuidade, ainda continua sendo uma questão de fé, visto que não poderíamos ter como base algum tipo de análise empírica, a não ser que observássemos os estudos da Noética que vem sendo levantados desde o final da primeira metade do século XX.
  Seria impossível então, como já diziam os antigos pensadores, comprovar a existência da continuidade da vida após a morte física e o encerramento da sinapse cerebral? Em princípio poderíamos dizer que sim, de um ponto de vista estritamente científico, mas cairíamos no que poderíamos chamar novamente de um novo paradigma da ciência contemporânea: O eterno paradoxo do estado “post mortem”, no qual há a oposição da ciência ao afirmar que não há como provar a continuidade desta nossa essência, no entanto, há de se dizer o mesmo do lado oposto; Não há, absolutamente, como provar que não há uma existência no estado post mortem assim como não podemos afirmar que há com plena convicção.
  Os religiosos até os dias de hoje fazem sempre referências aos mais distintos estados de mente e concepções miraculosas nos atingem em cheio em meio a uma era de caos. A fé perdeu muito de sua força e o ser humano ganhou espaço para o pensamento individual e isolado de outras tradições que condicionariam as ideias emergentes. Há aqui então o que poderíamos por fim, chamar de paradoxo do século XXI: A oposição entre a fé e a ciência, que se estende desde um passado remoto até os dias de hoje e promete se estender por muito mais tempo.
  A questão a ser discutida, ao final de tudo, é a natureza de nossa mente. Se este mundo físico, Jambudivipa, como o chamam os Budistas, é o fim de toda a existência, como poderíamos pensar na natureza de nossa própria consciência que se manifesta a todo momento? Como poderíamos compreender tais compêndios se a nossa vã filosofia dos dias de hoje prende-se à falsos deuses como o dinheiro, como o Status, como as tentações da carne? Sabe-se que estas são ilusões do mundo físico, assim como todos os outros conceitos humanos, que não são nada além de um reflexo de nossa própria reflexão.
  Faz-se aqui por fim, a mesma pergunta que foi feita há tanto tempo e que continua a mover os seres humanos nos dias de hoje: De onde viemos? Para onde vamos?

  Uma vez Platão, em seu tratado sobre a natureza das coisas, alegaria que voltaremos para o mesmo lugar de onde viemos, o que é a síntese da analogia da caverna e do mundo das ideias: Um lugar para onde todos devemos voltar.
  Por outro lado, Schopenhauer diria que não existe nada além do mundo físico, e que o que existe depois é o mesmo que havia antes: O nada absoluto. Tal ideia seria digna de crédito? Quem poderia responder com toda certeza?
  A resposta talvez se encontre em nossa própria consciência de si própria, afinal o que somos nós? E o que é a nossa consciência se não um fantasma que nos apropria existência?

por: Luigi C. Domani





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