domingo, 3 de novembro de 2013

Creepypasta: O capelobo

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  No norte do nosso país, onde se concentram mais tribos indígenas, corre uma lenda sobre uma criatura chamada Capelobo ou Cupelobo. Enquanto algumas pessoas tomam isso como sendo apenas folclore, há lugares em que esssa criatura é temida, e as pessoas juram já tela visto.



  Lembro quando eu era pequeno, os mais velhos contavam histórias sobre o capelobo, cupelobo... cada pessoa falava de um modo, mas se referiam à mesma figura. Na época eu ficava com medo, ainda mais que eu tinha um certo receio dos índios que moravam em uma aldeia próxima. Aqui no norte do país, Maranhão, Pará, Amazonas... é comum ter essas lendas, sobre entidades do tipo, e com o tempo você acaba nem dando muita bola e tomando elas como sendo apenas lendas.
  Segundo as histórias que eu ouvia, todo capelobo é originado de um índio ou índia, que fica muito velho(a) e não chega a morrer. Afirma-se que a aldeia toma conta desses índios velhos, e os prendem em cercados de madeiras quando estão com unhas, cabelos e dentes enormes. Dizem que o índio que é preso nesse chiqueiro, é alimentado com carne crua, pois se ficar solto rasga e come as crianças da tribo.
 Quanto à sua aparência, o capelobo é uma espécie de quimera, com corpo humano e cabeça com um formato que se assemelha à um tamanduá ou uma anta. Bem, não preciso nem dizer que com o tempo você cresce e deixa de acreditar nessas baboseiras, pois me parece humanamente impossível uma pessoa se tornar tal coisa absurda. De qualquer forma, as pessoas mais antigas daquele vilarejo ainda temem essas criaturas bizarras do nosso folclore, diferentemente da minha geração que já não liga para essas coisas.
  Pouco a pouco, o desenvolvimento começou a chegar no local, e isso foi afastando um pouco as pessoas dessas raízes folclóricas. Os índios por exemplo, ao contrário do que muitos acreditam no resto do país, andavam pelas estradas com bermuda e relógio de pulso. Pois é, os tempos estão mudando. Talvez por isso seja um pouco difícil acreditar em certas histórias sobrenaturais; a única coisa que sempre acreditei e tive medo foi de fantasmas, pois isso parecia-me bem mais fácil de acontecer algum dia comigo. Todo mundo conhece alguém que teve alguma experiência do tipo, e ainda mais lá, onde há mata por todo lado, rios, animais e sons estranhos rondando pela noite. Fica mais fácil para que nossa fértil imaginação voe rumo à histórias sombrias.
  Mas, infelizmente comigo foi diferente. Eu não posso afirmar com toda certeza o que eu vi realmente, o meu senso racional até hoje procura buscar uma explicação razoável. Na época eu tinha 15 anos de idade, ainda morava no Maranhão, era um moleque que corria descalço na lama da estrada, brincava no mato e trepava em árvores. Foi por volta de março, época de cheia no rio, costumava aparecer muitos bichos perto das casas das pessoas: cobras, antas, e as vezes até uma onça ou outra. O povoado estava em alerta, temendo os animais selvagens; lembro-me que minha mãe me proibiu de ficar embrenhando na mata. Foi naquela mesma época que começou uma certa histeria; alguns animais de estimação e criações apareceram mortos, e além disso, uma pessoa foi encontrada morta com um buraco em cima da cabeça. Uns diziam que era onça, outros que foi outra coisa pior. Essa história me deixou super impressionado, e para piorar, começaram a falar que era o capelobo, que ele estava rodando as casas ao cair da noite procurando alguém pra comer, havia até quem jurasse tê-lo visto. Eu não lembro ao certo se acreditei muito na história do capelobo, ou se eu pensava ser algum animal selvagem o responsável. Só sei que aquilo me marcou muito.
  Certa noite, do lado de fora da nossa antiga casa de madeira, ouvi meu cachorro, o tobias, latindo e rosnando. Curioso eu foi até a janela de meu quarto, mas infelizmente não dava pra ver muita coisa, estava muito escuro, a lâmpada com luz amarelada do lado de fora não clareava muita coisa. Havia muito mato e folhagens, então ficava difícil distinguir alguma forma em meio à escuridão. Eu escutei meu pai gritando da sala para o cachorro ficar quieto, eles estavam assistindo a novela. Eu continuei ali, fitando a escuridão e fantasiando como se eu fosse um herói que iria lá acabar com a raça da fera que amedrontava os moradores do vilarejo, e então todos iriam ficar gratos.
  Foi durante esse breve devaneio que tudo aconteceu. Ainda estava terminando de fantasiar a minha história heroica, quando me virei brevemente para trás, tentando entender algo que estavam comentando sobre a novela, um som vindo do quintal me chamou a atenção. Olhei novamente para a janela e tomei um tremendo susto. Lá estava, saindo do meio do mato, uns 17 à 20 metros à minha frente, aquela bizarra criatura. O medo foi tamanho que não consegui observar por muito tempo, eu fechei a janela correndo, minhas pernas estavam bambas. Já não havia mais nenhuma fantasia de heroísmo, apenas o primitivo instinto de sobrevivência e medo, muito medo.
  Eu não tive reação, não gritei, apenas me escondi dele, seja lá o que for. Não tive coragem de dizer exatamente o que testemunhei para os meus pais, pois eles não acreditavam na história do capelobo estar matando, para eles aquilo era obra de uma onça. Até hoje não esqueço daquela figura, e vez ou outra ainda sonho com ela, apesar de não ser tão frequente como antes. Ela parecia uma pessoa muito suja, ou com o corpo coberto por alguma pelagem escura, não deu pra ver direito. No lugar da sua cabeça tinha alguma coisa comprida, não era exatamente como um tamanduá, como dizem, mas era algo muito estranho que se projetava para a frente. Lembrar me dá calafrios.
  Duas semanas depois, minha família deixou tudo para trás e fomos com a cara e a coragem para São Paulo. Não sei o que motivou meu pai, ou o que ele viu para sair daquele local, mas até hoje sou grato por isso. Meu cachorro, o Tobias, infelizmente, depois daquela noite nunca mais foi visto. Era um vira latas, mas um ótimo cão e eu gostava muito dele. Hoje eu trabalho em um grande jornal, fiz faculdade, e tudo devido à essa mudança. Talvez se a gente tivesse continuado no Maranhão, naquele lugarejo, eu não teria tanta perspectiva de vida, mas independentemente de tudo, eu fico feliz de ter vindo para cá e nunca mais ter de ver algo como aquilo que presenciei naquela fatídica noite.
  De qualquer forma aquilo me fez abrir a mente para temas sobrenaturais e para o folclore brasileiro, e assim, devotar certo tempo de minha vida para ler blogs como este. Quantas histórias e lendas que existem por aí? Quantas delas não devem ser verdade? Eu não duvido de mais nada.





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