terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cemitério de la Recoleta

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  Por incrível que pareça, em Buenos Aires, capital da Argentina, um dos pontos turísticos mais famosos trata-se de nada mais nada menos do que um cemitério. Isso mesmo, o cemitério de La Recoleta, abriga os restos mortais de várias celebridades hermanas. Além de tudo, há várias lendas relacionadas ao local, vale a pena conferir.

 
  A estética e a ostentação são duas marcas do cemitério da Recoleta, localizada ao lado do centro portenho. A grosso modo, poderia ser definido como o “Père Lachaise portenho”, já que ali, tal como no cemitério parisiense, estão enterradas as principais figuras da História do país, entre heróis da independência, presidentes, intelectuais e cientistas. Seria o equivalente a um cemitério que no Brasil reunisse no mesmo lugar figuras como Dom Pedro I (que está enterrado em São Paulo), Dom Pedro II (em Petrópolis), Machado de Assis (que está no Rio), ou o marechal Castelo Branco (em Fortaleza) e Juscelino Kubistcheck (em Brasília).
  Este lugar de repouso eterno da elite argentina foi criado em 1822. Paradoxalmente, seu criador, o presidente Bernardino Rivadavia, que morreu no exílio na Espanha, está em um mausoléu construído na Praça Miserere, no bairro de Balvanera (uma área popularmente conhecida como “Once”).
No século XIX e início do século XX, as famílias da aristocracia exibiam sua riqueza nos túmulos. Nos fins de semana, faziam piqueniques ali, para ficar perto de seus antepassados.

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  O mais famoso túmulo no cemitério da Recoleta é o de Eva Duarte de Perón, mais conhecida como “Evita”, ou, “a mãe dos descamisados”. Segunda esposa do general Juan Domingo Perón, Evita mobilizou as massas populares para seu marido, que governou o país entre 1946 e 1955. Em 1952 morreu de câncer. Perón ordenou seu embalsamamento e expôs o corpo da sede da maior central sindical. Mas, em 1955 o viúvo foi derrubado por um golpe e partiu em exílio.
  Os militares sequestraram o corpo de Evita e levaram para a Itália, onde foi enterrada com nome falso. Em 1973, Perón, que estava a ponto de voltar depois de 18 anos de exílio, fez um acordo com os militares, que lhe devolveram o corpo. No ano seguinte, foi a vez do viúvo morrer.
  Durante dois anos os corpos repousaram na residência oficial de Olivos. Nesse intervalo, o país foi governado pela terceira esposa de Perón, María Estela Martínez de Perón, mais conhecida como “Isabelita”.
  Isabelita morria de inveja do carisma de sua antecessora. Por esse motivo, seu braço direito, o ministro José López Rega, um astrólogo conhecido como “El Brujo” (O Bruxo), fazia que Isabelita deitasse em cima do caixão de Evita para obter desta os “fluidos energéticos”. O golpe militar de 1976 interrompeu estas tentativas esotéricas.



A Dama de Branco

   A assombração mais comentada de todo o cemitério da Recoleta, a Dama de Branco, aparece para os turistas e funcionários quase todos os dias.  Conta-se que ela vaga pelo local e volta para o seu mausoléu. Sem se distanciar muito dalí. Mas, quem seria esta mulher?
   Trata-se uma adolescente, de 19 anos, que chavama-se Rufina Cambaceres, filha do escritor Eugenio Cambaceres. Pelos registros do cemitério ela morreu por duas vezes.  Mas, como pode uma pessoa morrer duas vezes? De fato, isso aconteceu! Pelo menos, foram estes os diagnósticos dados pelos médicos da família.
   As circunstâncias que envolveram as "mortes" da jovem foram trágicas e  ocorreram em 1902.

   A vida de Rufina era digna de um romance. Pelos relatos, ela foi uma pessoa introspectiva e ficou ainda mais deprimida com a morte do pai. Tinha um noivo, porém poucos amigos. Mas, era muito próxima da mãe. Elas se davam bem até a descoberta que iria culminar na sua "primeira morte".
   No dia em que completaria 19 anos a mãe da jovem preparou uma grande festa, quando iria apresentá-la a sociedade. De acordo com informações, o evento aconteceria no Teatro Colón, o mais importante de Buenos Aires. Mas, Rufina não sobreviveu a revelação que veio depois da festa. Ela descobriu que a mãe tinha um caso o seu noivo e teria entrado em choque. À noite foi encontrada morta em seu quarto, segundo o médico da família. Logo depois foi sepultada. Outra versão,  conta que Rufina caiu "morta" em plena comemoração de aniversário na frente da família quando ganhara um colar da mãe.

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    Um dos fatos mais aterrorizantes desta história é que quatro dias depois de sua morte, a mãe foi ao cemitério colocar flores e lá foi apresentada a pior cena. O caixão de Rufina estava fora do lugar e com a tampa quebrada.
   Foram investigar o que teria ocorrido e o fato é que a jovem não havia morrido, e sim, teve um ataque de
   Após sair da crise, a jovem tentou sair do caixão, porém sem sucesso. Informações dão conta de que a tampa do caixão, as mãos e o rosto dela estavam arranhados. Certamente pelo desespero.
   Esta foi a "segunda", mas a real morte de Rufina, asfixia.  Para a nova cerimônia foi feito um lindo mausoléu, ao lado do primeiro. O Caixão de mármore é belíssimo. Na frente, uma escultura, do artista de origem francesa Richard Aigher,  representando Rufina abrindo uma porta, que pode ser a entrada dela para o mundo dos mortos. Dizem que quando você fica naquele local, se tem a estranha sensação de estar sendo observado.
    De acordo com o guia local, senhor Oswaldo, o fantasma da jovem aparece, porque não descansou em paz. "Rufina morreu sem ar, sem saber por que fizeram isso com ela." - disse com a voz embargada.        
   Depois desse caso, as leis argentinas ficaram mais rígidas quanto aos velórios, que passaram a ter mais tempo duração para evitar que novos casos de catalepsia, seguidos de morte, se repetissem. Além da exigência de exames de comprovação de falecimento.
catalepsia, doença que faz com que a pessoa pareça morta durante horas, com os membros rígidos, porém ficam o tempo todo conscientes. Imaginem o drama... Sendo colocada num caixão com vida e consciente!



Liliana e Sabu

recoleta, argentina, cemitério, lendas, lenda, mulher de branco, enterrada viva, caixões, medo, história  Enterrada numa esquina está Liliana Crociati de Szaszak juntamente com o “fiel amigo de Liliana” o Sabu. Ao pé da estátua que fica sobre o túmulo se encontra o gato que não sai de lá por nada.
 Neste instante um argentino chegou pra contar que o gato fica feroz quando as pessoas se aproximam demais e que ele, por ser a reencarnação do Sabu, não deixa os pés da estátua nem um segundo.
Bom, uns dizem isso e outros dizem que os gatos só estão lá para filar uns ratos, vai saber...

  Liliana Crocciati era filha de um conhecido pintor e poeta italiano. Jovem artista plastica, ela faleceu com 25 anos de idade, em Innsbruck, Austria, em 26 de fevereiro de 1970, no meio da sua lua-de-mel (tenso). Uma avalanche atacou o hotel onde ela estava com o marido, dormindo. Morreu asfixiada na sua propria roupa, no meio da neve.

No mesmo dia, a 14000 km de distancia, seu adorado cachorro, Sabu, morreu.

  Liliana foi enterrada com seu vestido de noiva. Seu tumulo foi construido com madeira e vidro, materiais que ela adorava usar em suas obras. Na frente tem essa escultura feita por Wilfredo Viladrich, onde ela aparece com seu fiel amigo Sabu e o mesmo vestido de noiva. O desenho de sua tumba foi baseado em como era o seu quarto. E nele, encontramos algumas pinturas da artista e um poema de seu pai que você pode ver na imagem abaixo:

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