quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Conto: Eles vêm do esgoto PATE 2

contos de terror cômico, histórias
  Continuação do conto "Eles vêm do esgoto". Se você ainda não leu a primeira parte, leia agora e fique por dentro do que vai rolar à seguir, clicando AQUI.



  Sinceramente, eu estava com as mãos tremendo. Eu sei o que eu vi, mas sabe como é. Vi mas não vi.
A primeira coisa que eu fiz foi sair de lá, é claro! Não sou louco de ficar ali pra descobrir do que realmente se trata.
  Desci até a sala e sentei no sofá. Fiquei refletindo sobre o que havia acontecido e as probabilidades de eu estar ficando maluco. Mãos não saem de ralos, quer dizer... é fisicamente impossível. Então o que era aquilo? Se não foi alucinação, maluquice ou sono, então tem alguma explicação razoável para tudo isso.
  Me levantei e resolvi voltar lá e tentar descobrir algo. O relógio na parede da copa marcava quase 5 e meia da manhã. Fiquei tanto tempo pensando que nem vi a hora passar, o cansaço no meu corpo resultante dessa noite já estava me afetando, eu me sentia estranho.
  Cheguei à porta do meu quarto, a luz dele estava apagada; só se via um facho de luz que vinha do banheiro cortando o quarto ao meio. Entrei lentamente e olhei para os dois lados apesar de não enxergar quase nada lá. Acendi a luz. Não havia nada de estranho lá aparentemente. Me abaixei para conferir embaixo da cama e estava ok: nenhum monstro. Agora a parte mais difícil foi voltar a conferir o banheiro, mas reuni toda coragem que podia e fui lá novamente.
  Só de chegar perto da porta já senti aquele cheiro insuportável. Bem, dormindo eu sei que não estou, pois esse cheiro medonho faria qualquer um acordar.
  O ralo do chuveiro estava semi-tampado, do mesmo jeito que estava na hora que sumi de lá. É, não estou louco, pelo menos eu acho. Com o rodo eu empurrei de volta o tampo. Repeti o processo de espirrar o perfume lá dentro, e depois, antes de mais nada, eu tranquei o banheiro com a chave e me certifiquei de que estava bem trancada dando uns puxões na maçaneta. Depois, pequei minha coberta e fui para o quarto vago de minha irmã, a Isabella. Ela faz faculdade de letras em São Paulo capital, e está morando com mais duas amigas lá, e vem para casa apenas para passar um final de semana sim e outro não.
  A casa nova possuía duas suítes com banheiro. Uma era a "top" com hidro e tudo mais, E é claro, essa ficou com meus pais; a outra com um banheiro simples, apenas com chuveiro, privada e pia ficou comigo. Minha irmã, como não está morando conosco agora, ficou com o que restou, hehe.
  O lado bom é que não tinha banheiro nesse quarto, então eu poderia tirar uma soneca tranquilo sem medo de ser atacado por nenhuma mão mutante do esgoto.
  Deitei na cama e apaguei de tanto cansaço. Acordei com a empregada perguntando para mim o que eu estava fazendo dormindo lá. Povo curioso.. nem se pode mais tirar uma soneca em um quarto alheio sem ser incomodado?
  Dei um pulo quando olhei a hora no celular. Já eram quase 3 da tarde.
-Caramba, dormi demais!
  Voei para o meu quarto e troquei de roupa, e é claro, dei uma conferida para ver se o banheiro ainda estava trancado. Preferi descer e usar o banheiro de visitas, mais seguro. Comi umas bolachas, as porcariadas de sempre pra tapear a fome e saí.
  Estava caminhando na rua e pensando na noite anterior. E se acontecer de novo, e se não foi só um episódio isolado? Além dessas preocupações, começou a me aflorar outro tipo de sentimento quanto à isso: Curiosidade. Sim, quando passa a noite e acaba a escuridão, todo mundo fica metido a "caça fantasmas".
  Uma coisa é certa: eu precisava de ajuda! Você também. Se você sofre com assombrações, vampiros na chaminé, pererês na janela e lobisomens no quintal, não sofra sozinho, procure ajuda. Hehe.
  Contar pros meus pais estava fora de cogitação; meu pai ia falar que era um texugo ou qualquer outro bicho e minha mãe ia se desesperar e me mandar para o psiquiatra. Perca total, e eu também já passei da idade de correr para o colo de papai e mamãe.. agora é hora de enfrentar os medos!
  Bem, na teoria é fácil, mas na prática a coisa pega.
  Estava filosofando sobre o assunto quando lembrei do Marquinho Ruéla, ele sempre foi chegado nessas paradas sobrenaturais, então ele devia saber de alguma coisa e talvez até me ajudar a me safar dessa. Eu pensei tanto no assunto que nem vi o quanto tinha andado, eu já estava perto do centro da cidade, e por consequência, perto da casa do Ruéla!
  Estava chegando na casa dele quando dei de topo com o próprio saindo de lá. Camiseta rasgada do Misfits, um gorro preto detonado, cheio daquelas "bolinha" que junta quando estraga a roupa, e tênis remendado com silver tape. Figuraça.
-Fala ai, Castro, belezinha cara?! Tá sumido.
-Tranquilo. - falei - É, eu tô mesmo...
-Vai onde?
-Então... eu estava justamente indo na sua casa.
-A é? que manda?
  Como explicar que tem uma mão podrona saindo do seu banheiro sem parecer louco ou idiota?
-Então, você é um dos caras mais estudados e sabedores das coisas estranhas que eu conheço... você é bem esperto Ruéla Man.
-Esperto? Cara eu repeti o último ano e meu pai está quase me espancando de raiva de pagar o cursinho para nada!
Bola fora.
-Você não entendeu o que eu quis dizer - eu sei contornar as situações - você só não teve tempo de se preparar direito, você é um cara sagaz, eu sei disso!
-Continue, continue...
-Então Ruélones... eu preciso de um conselho seu
-Diga, diga... - Acho que o ego desse cara tá meio inflado.
-Você é um cara ligado nessas paradas do sobrenatural não é? Saca tudo esses baratos de assombração, zumbi e ETs, não é mesmo?
-Sei sim cara, eu sempre vejo o Zona 33, conhece?
-Não conheço não, o que é isso, programa de TV? - perguntei.
-Nada não, esquece!

  Bom, para resumir e não tornar isso maior do que vai ficar, eu expliquei o que havia acontecido pra ele. No começo ele me zoou um pouco, disse que tinha um zumbi morando no meu banheiro, que se fosse ele ia fazer a mão bater uma p*nhetinha pra ele e coisas do tipo. Mas, depois pareceu se interessar pelo assunto, e se auto-convidou para passar a noite na minha casa e investigar mais. Quando éramos mais novos e estudávamos juntos, ele viva dormindo em casa. Acho que devia ser por causa da minha irmã, ele sempre ficava babando nela. Mas depois com o tempo a gente se afastou um pouco, ele começou a curtir umas paradas de punk e a andar com um galera diferente, e eu segui por outro rumo, mas continuamos amigos mesmo assim.
  Depois disso, entrei na casa dele, ficamos conversando por um tempo, botando o papo em dia e nem vi a hora passar. Depois ele foi pegar algumas coisas dele, pôs em uma mochila e fomos para a minha casa.
  Chegando em casa, subimos para o meu quarto, ele jogou a mochila dele em cima da minha cama, parecia estar pesada e fez um barulho de metal.
-Que isso cara, ta trazendo uma bigorna? - perguntei
-Não, são só meus equipamentos!
  Ele foi até a porta do banheiro, curioso pela história que eu contei. Destrancou e deu um pulo pra trás.
 -Cara, o que você andou comendo? Isso aqui tá podre!
-Não fui eu - falei - é aquela porcaria de cheiro que saiu da pia.
  Ele deu uma olhada em volta, foi para o box, agachou-se e analisou o ralo do chuveiro.
-Acho que pelo tamanho do encanamento abaixo não poderia ser uma pessoa que passou a mão ai.
-Acho que isso é meio óbvio, Einstein.
-Isso diminui as possibilidades, eu só vejo duas possíveis causas nesse momento.
-Quais? - perguntei
-A primeira é de uma colônia de duendes viverem na sua casa - coçou a cabeça - você notou suas coisas sumirem?
-Humm... acho que não. Não notei nada sumir não.
-Então isso nos leva à outra única alternativa.
-Qual?
-Fantasmas! - quando ele disse isso, me deu um arrepio na espinha.
-Sai fora - bati na madeira da cômoda três vezes.
-É sério, essas coisas aconteceram de madrugada, não é? E uma mão saiu do nada... tem algo estranho.
-Tomara que eu esteja louco... - só me faltava essa. Morro de medo dessas coisas.
  Saí do quarto e fui pegar um colchão para ele dormir. A hora hoje parecia ter passado voando, é incrível como isso acontece quando a gente acorda tarde, muda totalmente  a percepção do tempo...
  A hora passou, meus pais chegaram em casa, e fizeram aqueles comentários básicos do tipo: "nossa Marquinhos, como você cresceu, tá diferente" e tal tal...
  Aí veio a bomba: Meus pais iriam aproveitar que era sexta e ir para a capital, passar o final de semana na casa de uns parentes, e já tinham até deixado as malas prontas.
-Mas ninguém me falou nada - fiquei indignado, não por eles não terem me avisado ou convidado, mas por pensar em ficar em casa sozinho no final de semana.
-Eu ia te avisar, mas você não estava no seu quarto. Pulou cedo da cama cedo? - droga, eu estava dormindo no quarto da minha irmã.
-Mais ou menos isso - Bom, pelo menos essa noite o Ruéla vai dormir aqui. Se é pra se f*der, que não seja sozinho. Da menos medo quando você vê outra pessoa se ferrando junto.
-Só uma coisa - meu pai disse - não é pra usar o meu banheiro, você tem o seu. Ficou um cheiro horrível e não queria sair de jeito nenhum.
-Não fui eu, deve ter sido o "gambá" de ontem à noite - ironizei
-Engraçadinho.
  Por volta das 22 horas meus pais saíram de viagem. Pedimos lanches e passamos um tempo descontraindo jogando Call Of Duty na sala. Até estávamos esquecendo do motivo de Ruéla estar lá, quando ouvimos um barulho vindo de cima das escadas. Um olhou para a cara do outro sem falar nada, apenas soltamos o controle e fomos indo devagar em direção às escadas.
  Impressionante. Só você querer ir em silêncio para a escada começar a ranger a cada passo que você dá. Muito escroto isso, agora nunca mais critico os clichês de filmes de terror, eles realmente podem acontecer.
  Chegando no corredor tava tudo silencioso. Eu virei, olhei para o Ruéla e encolhi os ombros gesticulando não saber do que se passava. Quando eu fiz isso a luz apagou e acendeu.
  Dessa vez minha perna não falhou, corri para baixo quase atropelando o pobre do Ruéla. Não sou um bom companheiro nessas horas. Só escutei ele pra trás reclamando.
-Ei cara, você quase me matou lá atrás.. acho que foi só uma falha na fiação. Não vi nada de mais lá.
-Foi só o reflexo - falei
-Você precisa relaxar manolo, ser corajoso. Por isso você tá solteiro, mulher gosta de caras corajosos igual a mim.
-Epa, peraí - agora esse maldito mexeu no calo - quem aqui é covarde? Foi uma reação comum, só isso!
  Enquanto nós discutíamos, um som ecoou novamente vindo lá de cima. Dessa vez deu para ouvir certinho o que era: O barulho de alguém dando descarga. Detalhe: Só havíamos nós dois na casa nessa hora.
  Nós dois ficamos em silêncio.
-Eu te falei que tinha alguma coisa estranha!
-Mano, se eu te contar uma coisa - Ruéla pôs a mão na barriga - você não vai acreditar
   Eu já imaginava o que era. Desde pequeno, quando ele ficava nervoso dava uma disenteria nele. Ele pagou de machão até agora mas vai entregar os pontos. Sabia.
-Se eu fosse você ia no mato. Eu que não iria no banheiro nem me pagando.
-Relaxa cara, tem mais banheiros na tua casa, não tem? - ele estava se contorcendo agora, com uma das mãos na barriga e a outra apoiando na mesa.
-Tem um virando ali à esquerda - indiquei com a mão
-Certo, então eu vou lá e você fica na porta vigiando qualquer coisa estranha.
-Cara, na moral - falei - não sou guarda-costas de banheiro.
-Velho só tem você e eu... - parou pra pensar um pouco - e mais alguma coisa lá, sei lá, me ajuda vai!
-OK, anda rápido!
  Olha, eu sei que isso está ficando longo, mas foi o final de semana mais louco da minha vida. Compreendam. Você não iria querer estar no meu lugar, te garanto.
  Fiquei na porta do banheiro esperando ele. Até esse momento pareceu estar tudo bem, até que pensamentos nauseabundos tomaram conta da minha cabeça. E se foi um ladrão que tava lá em cima e deu uma descarga? As vezes o cara tava lá soltando um barrão. Outro dia li em um site que um bandido invadiu a casa de uma mulher nos Estados Unidos e ainda varreu a cozinha dela. Nunca se sabe né? Estava pensando nessas coisas quando ouvi o Ruéla gritar do lado de dentro do banheiro. Não sei a diferença entre a hora que ele gritou e a hora que ele saiu, pois foi muito rápido, ele ganhou de mim na agilidade. Junto com ele, veio um tremendo fedor.
-Caramba mano que fed... - não deu nem tempo de eu terminar de falar. Só percebi ele passando por mim com a bunda de fora. Que visão do inferno.
  Eu fui atrás para ver o que aconteceu, deve ter sido grave porque ele quase arrombou a porta para sair pra fora... pelado.
-Cara o que você tá aprontando? O que aconteceu? - Se alguém me ver aqui fora nessa cena lamentável, é ai que não arrumo uma namorada mesmo.
-Eu... falei... que ia... te ajudar... mas quero.... ir... embora... - ele estava soluçando e chorando.
-O que que aconteceu? Por que? Você não pode me deixar aqui - agora eu que comecei a me desesperar - e onde fica a amizade? Me conta o que aconteceu por favor.
  Ele demorou um pouco para se recompor, mas eu consegui convencer o cara a entrar pelo menos na sala, afinal ele estava pelado. O muro tem umas partes com grade e dá pra ver mais ou menos aqui dentro. Como eu disse: ia pegar muito mal pra mim.
  Depois de se acalmar um pouco, ele resolveu abrir o bico.
-Conta logo cara, a gente tá perdendo tempo, e se for alguma pessoa lá em cima? Já parou para pensar no perigo?
-Não é uma pessoa não. - ele afirmou com tanta convicção que confesso que isso me chocou um pouco.
-O que você quer dizer?
-Aquela hora - falou passando a mão no rosto - não gosto nem de lembrar.
-Fala logo, você está me deixando nervoso - sim, eu estava ficando mesmo
  Ele começou a explicar, sentado no sofá com uma almofada no colo tapando o dito cujo. Uma cena triste.
-Eu estava sentado na privada, com uma tremenda dor de barriga tentando esquecer que você estava do lado de fora. Eu não consigo cagar com ninguém me vigiando. Aí de repente senti algo encostando na minha bunda como se alguém tivesse passado a mão... Eu abri as pernas e olhei pra baixo.
-E ai, e ai? - tava me roendo de curiosidade
-Tinha um cara me olhando
-Hã? como um cara te olhando?
-Tinha um cara me olhando dentro da privada. E ele não tinha olhos - isso foi bem estranho
-Como ele estava te olhando se ele não tinha olhos? - perguntei
-Cara, é sério. Parecia uma caveira podre me encarando - juro que vi mais uma lágrima caindo do olho do Ruéla nessa hora.
  Normalmente eu acharia que ele estava ficando louco ou usou alguma droga da pesada. Mas não hoje, eu sei o que passei ontem. Acho que agora a coisa ficou séria.
-O que a gente vai fazer cara? - ele me perguntou
-A gente eu não sei, mas você vai vestir uma calça.
-Ela ficou no banheiro. Lá eu não volto - e nem eu.
-Então a única alternativa é você pegar outra peça de roupa na sua mochila, que ficou.... no meu quarto.
  A gente se encarou e eu sei exatamente o que ele pensou. E a coragem para ir lá? Apesar de tudo, quem está na chuva é para se molhar, e ele sabia que não poderia fugir da minha casa nu da cintura para baixo. Capaz de ser molestado por algum doidão no meio do caminho para a casa dele.
  Subimos para o quarto, eu fui na frente para não ter que encarar aquela bunda seca na minha frente. Não tivemos nenhuma surpresa pelo caminho. Entrei no quarto e acendi a luz, felizmente nenhuma atividade paranormal. Olhei para o Ruéla e notei que ele estava segurando algo, era um saleiro.
-Que é isso filhote? Vai fazer uma salada?
-Vou. Uma salada de Poltergeist. Você nunca assistiu supernatural não? Sal faz milagres com espíritos.
-Verdade, garoto esperto - me lembrei, eu também assistia.
  Ele pegou uma bermuda de dentro da mochila e a vestiu, e em seguida tirou da mochila duas barrinhas de ferro meio enferrujadas.
-Que isso, vai matar alguém de tétano?
-Não cara, você tá por fora. Ferro espanta o mal. Por isso as barras das celas da prisão são feitas de ferro, para conter o mal.
-Você é esperto cara. Podia se formar em alguma faculdade de caçador de fantasma se isso existisse. Hahaha.
-Ele ficou sério. Eu pensei que era porque ele não tinha gostado da brincadeira. Então ele apenas levantou a mão segurando uma das barrinhas de ferro e apontou para trás do meu ombro. Nessa hora senti meu sangue gelar. Viro ou não viro?

  Quando me virei deu tempo apenas de ver um vulto que desapareceu no ar. Eu pulei para trás e peguei o saleiro da mão do Ruéla e comecei a salpicar o ar para todo lado. O medo era tanto que nem saímos do quarto e ficamos contra a parede com medo de que algo aparecesse por trás de nós.
-Cara você tá ferrado - ele me falou
-Só eu?  Você também está aqui, esqueceu?
-Mas não é a minha casa que está mal-assombrada. - droga, isso é verdade. - Por um acaso alguém morreu nessa casa, era um cemitério ou algum centro de rituais macabros ou algo do tipo?
-Não, eu tenho certeza, eu ouvi meu pai comentar quando ia comprar. A casa é novinha em folha e antigamente era um terreno de pastagem. Todas as casas da rua são novas, menos a da mulher estranha em frente que tá faz tempo e... - me veio um estalo na mente.
-E?
-Um segundo... Isso poderia ser causado por alguma obra de feitiçaria, vudu ou algo do tipo?
-É bem possível, já vi vários casos de assombrações causados por feitiçaria e objetos amaldiçoados.
-Filha da P*ta - enchi a boca falar xingar com gosto. - foi aquela velha miserável, só pode ter sido ela.
-Que velha?
-Aquela desgraçada em frente, dona daquele mausoléu. - eu estava rangendo os dentes de raiva - ontem eu peguei ela fazendo um barato muito suspeito na frente da minha casa. E sei lá, também acho que fui meio rude com ela... será que ela fez alguma mandinga louca pra mim?
-Cara, só sei que não queria estar na sua pele.
-P*rra, me ajuda, da uma luz. O que eu faço agora?
  Nesse momento a luz piscou, igual aquela outra vez. Olhamos um para o outro de novo. Foi quando ele olhou para baixo e começou a gritar que nem uma menininha. Eu olhei para baixo e gritei junto. Havia uma mão saída do chão segurando o pé dele. A maldita mão podre. Instintivamente ele jogou a barra que estava em seu poder no rumo da mão que estava segurando o seu pé, mas acabou acertando nele mesmo. A mão havia desaparecido. Só um comentário: com a força que ele jogou, deve ter doído pra car*lho.
  Mais uma vez corremos para baixo e saímos para fora da casa. Isso já está ficando redundante e cansativo.
-Velho, que piração. Eu sou ateu mas hoje eu vou rezar - disse ele.
  Olhei para o pé dele. Tava roxo e com um corte onde ele jogou o ferro.
-Vai tratar isso mano, teu pé vai ficar podre... que nem aquela mão maldita.
-Cara, eu to tão assustado que nem to sentindo dor alguma. Nem quando eu fui operar de fimose eu fiquei com tanto medo!
-Você não precisava me contar isso - não mesmo, vou ter mais pesadelos com essa informação do que com a mão, eu acho.
-A coisa aqui tá seria, vamos precisar de reforço. Reforço de peso.
-Reforço? - o que ele quer dizer com isso?
-Liga pro Tiago Saci.
  Droga, lá vamos nós de novo. Quando eu procurava alguém que manjasse dos paranauês paranormais, eu pensei no Marquinho Ruéla, mas tinha me esquecido do Tiago Saci. Acho que talvez porque ele é uma figura totalmente vetada de aparecer aqui em casa, sério mesmo. Pesadelo total aguentar as pirações e os papos daquele maluco.
-Você tá louco? - gritei
-É a única solução. Tenho certeza que ele é o único que vai saber resolver o teu problema.

  Droga.

por Nando Bonvento

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