segunda-feira, 22 de julho de 2013

A Mina de Naica

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  A Mina de Naica, no estado de Chihuahua - México, é uma mina em laboração conhecida pelos seus extraordinários cristais de selenite.
  Situa-se na localidade de Naica no município de Saucillo e as principais matérias ali extraídas são o chumbo, zinco e prata. Ao longo da sua exploração têm sido encontradas numerosas cavernas, contendo cristais de selenite com tamanhos que chegam a passar de 11 metros de comprimento; a mais famosa das quais é a Cueva de los Cristales (Caverna dos Cristais) que encontra-se a 290 metros de profundidade.

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História

   Naica era basicamente uma mina de chumbo, zinco e prata. Mas seu maior tesouro estava escondido de forma mais profunda. Mal sabemos os mistérios que se ocultam em partes inimagináveis nesse mundo. Naica nos mostra que sua grandiosidade não está no valor que damos aos minérios, pois este valor é subjetivo. Povos pré-colombianos não davam tanto valor ao ouro quanto os europeus. O verdadeiro tesouro de Naica passou milênios escondido, até que uma descoberta por acaso, mudou a história do lugar.

  Em abril de 2000, os irmãos Eloy e Javier Delgado encontraram o que peritos acreditam ser os maiores cristais do mundo, ao explodirem um novo túnel, a quase 300 metros abaixo da mina de prata de Naica, em Chihuahua do sul. Eloy, que tem quarenta anos de idade, escalou uma pequena abertura entre as rochas, até atingir a caverna, bloqueada com cristais imensos!
   "Era bonito, como a luz refletida por um espelho quebrado", disse ele.
   "A visão dos cristais translúcidos entrelaçados uns sobre os outros, era fantástica! Como se estivessem ali apenas aguardando que lhe examinassem o peso e a substância". Um mês depois, uma outra equipe de mineiros de Naica, encontrou uma caverna maior, ao lado da primeira.

   Os maiores cristais foram encontrados na “Gruta das Espadas", que faz parte do sistema de cavernas da mesma mina. Alguns deles estão agora em exposição na instituição Smithsonian.
   Segundo Fisher, os proprietários da mina e o governo local, esperam evitar a remoção de peças dessa descoberta, para exposições em museus ou coleções particulares.
   Atualmente, a companhia de mineração limitou a visitação das cavernas aos peritos e cientistas. Caçadores de minerais destruíram passagens e quebraram as câmaras por duas vezes, desde que foram descobertas. Além do calor, o ambiente é perigoso. De acordo com o Fisher, um minerador tentava levar um cristal gigantesco para fora, quando um outro caiu e o matou.


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   Por centenas de milhares de anos, as águas subterrâneas saturadas com sulfato de cálcio dihidratado, CaSO4 . 2H2O, eram filtradas através das cavernas e aquecidas pelo magma abaixo. À medida que o magma resfriava, a temperatura da água dentro da caverna estabilizou em cerca de 136 °C. Estes minerais começaram a se converter em selenita, a versão cristalizada de sulfato de cálcio; e quanto mais a temperatura ia baixando, mais os sais dissolvidos se cristalizavam, começando assim o processo de crescimento chamado “acreção”, produzindo cristais com tamanhos variados, mas sempre tendo a mesma forma básica, graças ao modo como a molécula se apresenta.Com a mineração, o fluxo de água foi bombeada, cessando o crescimento dos cristais.

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 A Explicação Científica

  Os cientistas acreditam poder explicar a razão pela qual os cristais de gesso encontrados perto da cidade de Chihuahua, no norte do México, chegam a alcançar mais de 11 metros de altura.Analisaram pequenas quantidades de fluido contido nos cristais e descobriram que a solução se manteve durante muito tempo dentro de uma faixa de temperaturas muito estreita e estável. As duas grutas estudadas - dos Cristais e das Espadas - encontram-se no complexo mineiro de Naica, um dos mais importantes depósitos de prata e chumbo do planeta.
   Com 290 metros de profundidade, a gruta dos Cristais exibe estruturas que chegam a medir mais de 11 metros de altura. Descoberta no ano 2000, a cavidade é uma das maravilhas naturais do México. Já a gruta das Espadas, descoberta em 1912, encravada a 120 metros de profundidade, tem um volume maior de cristais, mas as estruturas chegam a apenas um metro de altura. As conclusões da pesquisa foram publicadas na revista científica "Geology".
  As estruturas são compostas por sulfato de cálcio hidratado, geralmente quebradiço e de cor branca, formado junto com outros minérios há mais de 20 milhões de anos, resultantes da actividade vulcânica.
   Por causa de fluidos quentes injectados nas cavidades das rochas, este sulfato tomou a forma de anidrite, que tem a mesma fórmula química do gesso, mas sem água. Quando a camada profunda de magma sob a montanha de Naica arrefeceu, a temperatura dos fluidos baixou a um ponto que permitiu à anidrite converter-se em gesso.
   Como a gruta dos Cristais está a uma profundidade maior que a das Espadas, a temperatura manteve -se apenas um pouco abaixo da temperatura de transição por centenas de milhares de anos. "As condições eram perfeitas. Se a temperatura se mantém a pouco menos de 58 ºC durante muito tempo, formam-se cristais muito grandes", disse um dos pesquisadores, Juan Manuel García Ruiz, da Universidade de Granada, em Espanha.
   Já na gruta das Espadas, a temperatura caiu abaixo do ponto de transição com muita rapidez, o que gerou mais cristais, mas de um tamanho menor. O gesso cristalizado toma a forma de selenite, conhecida por sua transparência.


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 Altas Temperaturas

naica, cristais gigantes, cristais, mina, cristal, gigante, chihuahua   O intenso calor no interior da caverna é produzido pela proximidade de uma câmara de magma incandescente localizada alguns quilômetros abaixo do local. Entrar ali sem uma proteção especial pode ser fatal em menos de 15 minutos, o que torna obrigatório o uso de trajes similares aos usados pelos astronautas (As temperaturas podem chegar à 60° Celsius e a umidade do ar a 100%). Mesmo com a proteção térmica, o terranautas - como são chamados os exploradores - mesmo protegidos, só podem permanecer no interior da caverna por no máximo 45 minutos.
   “Não estamos no espaço exterior, mas no espaço interior”, disse o explorador George Kourounis, que participou da expedição às Cavernas dos Cristais Gigantes entre 3 e 6 de setembro de 2009.


  Fora isso, não temos muito o que falar sobre Naica, a não ser admirar essa incrível obra da natureza:

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Matéria do National Geographic sobre Naica:


  Quando a extração dos minérios de Naica já não for viável, a mina será fechada e as cavernas serão submergidas - e os cristais começarão a crescer outra vez.





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